Tipografia Cotidiano
Andrius Felipe
Andrius Felipe
Querido Neto.
Talvez quem veja esta carta estranhe por eu destiná-la a um neto, homem, másculo; mas é que esse é o meu desejo, e creio assim, um dia ter um netão.
Pensando em dizer como o mundo se encontra hoje, é que paro para refletir como ele poderá ser quando você adentrá-lo. Creio também que isso demorará, pois por enquanto mais solteiro seu avô não poderia estar.
Hoje as pessoas vivem mais fúteis do que nunca. E talvez você ou outro ache errado o que eu digo, mas não coloco futilidade como pejorativo, pois essas qualidades ainda não sei classificá-las como boas ou más; e também não digo que são todas as pessoas, porque para mim é impossível generalizar. Mas afirmo que são muitas as que vivem daquela forma.
Noto isso quando converso com gente. Marcas, diversão, estigmas, sexo e dinheiro são as coisas que regem boa parte do mundo. Mas talvez isso seja necessário e estável, a ponto de não poder dizer se será pior quando você viver.
Talvez isso seja o equilíbrio da vida, pois ainda existem também muitas pessoas que tem seus princípios e agem com amor para com a vida. É que a moda hoje é a relatividade: tudo depende; é, talvez; nunca certeza; mais ou menos: não existe mais nem bem e nem mal, pois é relativo. Com isso muitas coisas se maquiam, são os lobos de cordeiros e vice-versa.
Tudo isso leva pessoas a dizerem que o fim está próximo ou que vivemos em um caos geral. Mas não creio nisso, pois em mim ainda cultivo o amor e, sobretudo, a esperança. E como gente comum que sou, normal, sem super-poderes, acredito que há outros da mesma forma.
A informática é sem limites; os Estados Unidos estão em queda; a Coréia do Norte faz testes nucleares, ameaçando o mundo; a seleção brasileira ainda é a melhor do mundo; o Michael Jackson morreu; caíram muitos aviões; e o Português passou por alterações e pessoas, ignorantes, já falam de um “novo português”.
Trabalhar com ferramentas de tradução é complicado. Digo isso não querendo expressar a complexidade dos programas, mas quanto às suas eficiências.
Nada melhor do que a tradução que resulta do entendimento humano, mas na falta dele, essas ferramentas são úteis.
A mais famosa, creio eu, é o Google Translate. É uma ferramenta de fácil acesso e que demonstra boa eficiência. Não se deve contar somente com ela, mas para palavras e expressões ela é muito boa.
É possível sim traduzir um texto com ela, desde que se verifique os erros e a estrutura sintática das frases.
O programa disponibiliza mais de quarenta idiomas para tradução que vão desde o Inglês até o idioma Persa.
É de fácil uso, mas de visual simples; entretanto ainda muito útil.
Recomendo.
Andrius Felipe
O escolhido de hoje é o Writeboard, que é um programa de processamento de textos de fácil acesso e o qual, sem muitas complicações podemos, usufrui-lo ao todo.
Não há necessidade de abertura de contas, pois cada texto é independente de usuários e publicadores, isto é, o texto está sempre em primeiro plano, ao contrário do Docs, no qual temos o escritor em primeiro plano.
O interessante é que mais de uma pessoa podem trabalhar no mesmo texto, montando assim um grupo de publicadores. Isso é interessante pra estudantes que precisam escrever trabalhar juntos, e assim podem editar seus textos.
Suas possibilidades de correções são variadas e deixam ao escritor os erros marcados, permitindo assim uma correção mais detalhada e melhor. Isso é se torna mais útil ainda em uma correção feita por outro que não seja o escritor.
Problemas:
A configuração de escrita é meio complexa e o visual meio simplista demais.
Facilidades:
Acesso simples e direto, nada de muitos logins e cadastros imensos.
Writeboard é um programa simples mas prático, o que o torna uma ótima ferramenta pra alguns momentos. Recomendo uma visita!
Andrius Felipe
Querido neto, Não sei bem ainda o que e nem quem você é, menos ainda o que e quem você será. Essas coisas são difíceis para pessoas banais: é preciso uma forte capacidade, se não habilidade, de se prever o futuro. Sim, a época em que esta carta foi (está sendo) escrita é o século XXI, o mesmo em que você nasceu. Mas você já deve ter percebido que as coisas mudam rápido. Além do mais, bolas de cristal custam caro, e seu avô (o que lhe escreve) não é, pelo menos até o momento, deveras abastado. Para lhe dizer a verdade, nunca acreditei nessas coisas: deixo-as para as cartomantes, bruxos, adivinhos, visionários e afins. Clarto, não devemos esquecer das mulheres, pois elas prevêm tudo com uma facilidade incrível, desde os tempos pré-históricos. Acredite em mim. Antigamente (hoje), andávamos de carro pelas ruas sujas da cidade. Você sabe o que é um carro? Sim, é aquela coisa fumaçante e atropelante que você vê no filmes de época e nos livros de história da escola. Sim, eles não devem mais existir. Pedalávamos também nossas bicicletas. Essas você deve conhecer. Em minha época, os motoristas brasileiros - em sua infeliz ignorância - não sabiam bem o que era um ciclista. Ao verem um, assustavam-se e pensavam se tratar de um alienígena! Tentavam atropelar todos, achavam que eles não deviam pedalar pelas ruas da cidade. Nesse sentido, os motoristas de Curitiba eram muito maus: totalmente intolerantes. Mas o que a gente poderia esperar dessas pobres criaturas? Eles não tinham tempo de parar e pensar. A vida era sempre muito atribulada. Ou talvez apenas não quiséssem. É, meu neto... A natureza humana nunca foi coisa fácil de se decifrar. Quando queríamos ir para mais longe, pegávamos um ônibus. Quem podia, pegava um avião. Havia também uns loucos que viajavam de bicicleta por lazer, os cicloturistas. Seu avô um dia foi um. Mas os motoristas não nos davam sossego, assim como na cidade. Só os aviões e andorinhas e urubus nos poupavam. Pássaros são criaturas gentis. Aliás, quaisquer criaturas que não sejam os humanos costumam ser gentis. Não lhe fazem mal à toa, apenas quando sentem-se ameaçadas. Os bichinhos sim são inteligentes. Quando íamos estudar, tinhamos de nos deslocar e ir até uma escola ou universidade, lugares onde todos se reuníam para assitir às aulas, quase sempre presenciais. Você também assiste a aulas presenciais, meu neto? A coisa mais moderna que havia era o computador: uma máquina de fazer tudo... menos comida, roupa e filho. Seu bisavô (meu pai) ia ao banco, ficava na fila e pagava as contas. Com o computador, não mais era necessário. Comprávamos e pagávamos tudo sem sair de casa. Fazíamos negócios legais e ilegais, assistíamos filmes, estudávamos de tudo, líamos, escrevíamos cartas (como esta), etc... Em minha época, ninguém podia mais viver sem o computador. Eu, por exemplo, acostumei meus dedos ao teclado quando era pequenino, devia ter uns 5 anos. Nem sabia para que servia essa geringonça. Muitas pessoas usavam o computador para namorar e fazer amigos... Parece tolo, mas era assim. Seu avô sempre preferiu os contatos pessoais, ver as pessoas nos olhos. É bem melhor, você já deve saber o porquê. Quantos anos você tem? Treze? Então deve entender. Meu querido neto (ou neta, não posso prever): como ficou o mundo para você? Como ele parece? Seu avô fez quase sempre o melhor paras preservá-lo e deixá-lo em boas condições. Quantos bilhões de habitantes há sobre a esfera terrestre? Em minha épocas, havia cerca de seis bilhões. E as guerras? As atrocidades continuam? Creio que sim, isso não é coisa de se acabar do dia para a noite. Escrevi esta carta para informá-lo a respeito do mundo, como ele era em minha juventude. Hoje tenho vinte anos, estou na universidade. Quanto mais aprendo, porém, fico amedrontado em relação ao futuro... Cada vez mais vejo que não há grandes esperanças para o homem, que ele mesmo está se matando. A biologia explica que isso é algo natural: as populações crescem, crescem, crescem... Mas, quando já são muito numerosas, há uma grande queda no número de indivíduos, pois é impossível viverem em tão grande número num espaço tão diminuto quanto nosso planeta. É triste, mas é a vida. Nós, racionais que somos, pensamos, pensamos, pensamos. E quando vemos, já não dá mais tempo de voltar atrás. E então, pensamos mais ainda. Pensamos que o nosso destino já está fadado. Mas todos nós morreremos, isto é certo. É pensando assim que, num egoísmo imensurável, não lembramos de nossos descendentes. Não existe vida após a morte, materialmente e cientificamente falando. Nascemos, crescemos, reproduzimo-nos, envelhecemos, morremos... Vivemos em um corpo. Mas, e depois? Depois vêm nossos descendentes, assim como você o é. Tentei pensar em você, ainda penso: será tão bom vê-lo correr a atordoar seus pais! Nossos sucessores são nossos descendentes, de certa forma uma reencarnação de nós mesmos. São eles que darão continuidade a tudo o que construímos. Portanto, meu neto, pense no futuro. É difícil, eu sei. Mas, sempre que fizer algo de ruim ao planeta, lembre-se: alguém dos seus um dia irá pagar por isso. Mas não queira mudar o curso da natureza, pois isso é impossível. Não se preocupe demais. Viva a vida. Viver não significa deixar as obrigações de lado, mas sim mantê-las de forma equilibrada em sua vida. Não fique louco, não se descabele! O meio termo é o melhor para nós. Desculpe se meus escritos não lhe agradam. Posso parecer louco. Se assim for, leia minhas palavras como uma historinha divertida, uma besteira que seu avô escreveu um dia. Mas tente pensar no que os mais velhos lhe ensinam. Carinhosamente,
seu avô Joel J. Saalfeld. P.S.: se eu ainda estiver vivo quando da leitura desta carta, estarei aberto a perguntas, gargalhadas e bons momentos juntos. Mas ligue antes de vir!